O artista pop Andy Warhol se distanciou dos outros artistas do mesmo estilo pelo simples fator de experimentar. Sempre visando novas experiências entre a cultura, a publicidade, sexualidade e outros temas. Não é difícil encontra em seus trabalhos o discurso do sexo. Warhol não se intimidava e punha em pratica as relações de expressão artística relacionando a cultura pop, o desejo e o sexo.
![]() |
| Andy Warhol em autorretrato com dos seus ícones mais famosos na pop art: a banana |
Um dos símbolos imortalizados pelo artista é a banana. Utilizada de maneira crua, bruta, a banana se impõe como símbolo por si só. Seu formato fálico não precisa de legendas para que fique subentendido à relação da fruta com o “falar do sexo”.


Em Mario Banana (1 e 2) Warhol trabalha com o erotismo da banana. Insinuando, através da atuação de Mario Montez travestido de drag queen, o ato do sexo oral. Existem diferenças entre o primeiro e o segundo filme. O primeiro apresenta o ator de forma mais clara, ao interagir com a de maneiras mais rápida que a segunda, onde a edição de imagem está mais saturada, brincando com a percepção do espectador que acaba por se confundir se quem está a comer a banana seria na verdade uma mulher ou um homem. O fato de que existe uma possibilidade do público se excitar com a presença de alguém (de gênero/sexo desconhecidos) comendo uma banana aumenta a força das experiências que Warhol pretendia exaltar; em “Mario Banana” o sexo se apresenta como uma prática, algo que está em nossos olhos e pode ser apreciada e não um ritual secreto.
Desde a Idade Média o sexo vem sendo posto em discurso. Nos últimos séculos esse discurso se dissipou e se expandiu por diversos lugares, como medicina, política, psicologia etc. Foucault (1985) ressalta que “[...] entre a objetificação do sexo nos discursos racionais e o movimento pelo qual cada um é colocado na situação de contar seu próprio sexo produziu-se, a partir do século XVIII, toda série de tensões, conflitos, esforços de ajustamento, e tentativas de retranscrição” e completa:
“Em vez da preocupação uniforme em esconder o sexo, em lugar do recato geral da linguagem, a característica de nossos três últimos séculos é a variedade, a larga dispersão dos aparelhos inventados para dele falar, para fazê-lo falar, para obter que fale de si mesmo para escutar, registrar, transcrever e redistribuir o que dele se diz.” (1985, p. 35)
Podemos presenciar isso em “Blow Job” filme mudo de 1954 em que, filmando apenas o rosto de um jovem rapaz, Warhol põe em discussão a verdadeira posição em que ‘falar sobre’ sexo é algo presente ao individuo atualmente. Sem mostrar qualquer cena, o espectador subentende que o rapaz está recebendo sexo oral de alguém. Não sabemos ao certo se um homem ou uma mulher, ou vários, mas com auxilio do título (que em tradução livre seria algo como “boquete” no Brasil) o imaginar completa as cenas e preenche as expressões faciais do rapaz com significado; ora de prazer, dúvida, desconforto e entorpecimento.
Andy Warhol definitivamente se constrói no discurso do sexo ao abraçá-lo e, ao mesmo tempo, descartá-lo, contradizendo-se na modernidade em que, condenado à obscuridade, o sexo é valorizado como segredo. (FOUCAULT, 1985, p. 36)

Nenhum comentário:
Postar um comentário